até que ponto a linguagem nos limita o entendimento da vida?

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tudo é nada

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é triste viver em um lugar onde sorrimos mais do que choramos? chorar muitas vezes é estranho. por que chorar não é ato tão comum como sorrir? isto quer dizer que somos mais felizes? se chorássemos como sorrimos, como tudo seria? às vezes para chorar basta fechar os olhos.

choramos mais de felicidade ou tristeza? há dor e prazer?

reconhecer a fragilidade da vida em choro e entender: a vida também é a constante vivência dos opostos em um padrão perfeito representado pelo toque do espírito ou alma diretamente com o universo e a energia de um sistema vivo, de um ser vivo: o universo que encontramos dentro de nós

(tudo é nada).

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a vida e horrivel

para quase tudo
uma grande falha
pra que tentar
se eu nao quero conseguir?

de que importa estar
se ja nao sou
de que vale ser
se nunca fui e nunca serei

tanto faz, como sempre
e se desfaz, como quente

quem são os nomes dessas paredes?
não sei,
livre associação.
e nem o meu nome que sei?

tudo se vai indo,
mas assim também se vai caindo.
até quando voce percebe que é um idiota,
e aí se escreve o fracasso nos braços
(fracos)

fraco, idiota e mentira,
de três há só um vencedor,
e um perdedor.

quem mandou pedir três neguinhas?

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o apagador

tendo escrito tudo que pude nesta lousa,
das possibilidades em gerúndio e
dos sonhos adjetivados com sua presença,
torno-me apenas o apagador.

eu sou os pés que tocam o chão,
as lágrimas que me fazem cair em realidade,
o coração que tanto pulsa quando chove
e que desfalece ao amanhecer
-o momento de exaustão e desistência.

às vezes penso:
de tanto escrevermos
e de tanto apagarmos
a lousa se tornará branca;
pó e giz.

eu queria ficar preso nos momentos de chuva,
nas luzes dos letreiros acesos à noite;
os momentos em que estou completamente sozinho
e não preciso de mais ninguém para morrer.

anchieta no fim da tarde com chuva,
rua alba à noite com chuva,
avenida washington luiz à noite com chuva,
avenida interlagos à noite com chuva.

metrô linha três – vermelha (do carrão até artur alvim) à noite com chuva,
avenida bandeirantes à noite com chuva,
marginal tietê/pinheiros à noite com chuva,
as ruas de mongaguá à noite durante a semana, com ou sem chuva.

aquele ônibus de santos que eu peguei uma vez às cinco da manhã e a imigrantes à noite com chuva (ou amanhecendo em frio e tempo seco).

no fim, tanto faz,
você acaba largando seus pedaços por aí.
se alguém os verá, não sabemos.
você pode até contar para alguém que signifique algo para você,
mas no fundo, no fundo,
de que importa?
para o mundo você morre e deve ser enterrado em um lugar,
quando na verdade, tudo aquilo que você viveu e morreu
está espalhado por cada canto desta cidade,
por cada sorriso que você se lembra,
por cada momento que você se recorda
e por cada pessoa que amou.

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cymbal rush

tudo isso é reversível,
mas até onde vai a sua covardia?
até que determinado momento você decide realmente se afogar no que lhe faz mal
apenas por ser covarde?

me questiono se efetivamente é covardia, porque até nisto consigo ver um certo valor.
comodismo? preguiça? babaquice?
não sei exatamente o nome
e até penso que talvez não precise.

ouvi um breque extenso se arrastar pelo tempo, vi na faixa de pedestres um risco preto atravessado, e de pé a frente do carro, uma moça:

-você quase me matou!
-depende do ponto de vista – o motorista respondeu.

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um boneco de porcelana

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a melhor coisa sobre olhar o oceano é atravessá-lo,
um grito jogado à água
um pequeno movimento.

quando olhar nos olhos de outrém,
resguarde o coração que pode sair ferido,
seja luz que cai sobre a miséria no escuro.

meu caso de amor é meramente um boneco de porcelana,
um presente que ganhei quando criança.
sabe ter um memento, uma recordação?
apenas isto.

se me digo ou não que posso ou não posso
limito-me a ser solamente aquilo que me deixam ser!
meus olhos são mais! o horizonte é um convite, não um limite.
quem é que deixa de ser criança pra ser homem?

nadar depois da rebentação,
caminhar por corais que são a extensão de seu corpo,
olhar por olhos que não enxergam.

se céus se movessem! se carros fossem paraplégicos,
do que seria feita a cidade, se não da chuva?
os olhos que te matam no vagão,
são os braços que te estouram num abraço.

sabe o que é te ver dormindo?
amar você como em uma laje
onde a gente senta e vê a vida passar
juntinhos e pertinhos.

os espelhos que refletem meio milhão de bocas,
as páginas em branco de um livro já terminado
são o silêncio que você decidiu saber quando não fazer.
o silêncio da solidão que você sente ao voltar pra casa sozinho.
o silêncio de uma noite que não consegue dormir – e te deixa apenas com o escuro do quarto.

navegar à noite por dentre memórias que você esqueceu,
mas que o coração trata de trazer à tona a todo pulso que pulsa em seu peito.

olhei pela janela e vi o silêncio se afogar com o sol,
e eu, deitado à beira dos corais de minha rua
fechei os olhos e tentei dormir para nunca mais,
jamais
deixar com que a memória esquecesse
-do amor que trago no pulso
e da faca que segue seu fluxo:
o meu peito.

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a terra

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ilustrando noites em que me sinto só – mas cada vez mais perto da terra,
todos estão dormindo e meus olhos se concentram na luz da rua – pálpebras que palpitam;
busco desesperadamente companhia no oceano que plana naquela noite – as ondas sonoras do vento que sopra de leve, os carros que ouço ecoar longe, as luzes acesas em prédios que flutuam no silêncio.

sinto-me em paz e sinto-me só,
enquanto há silêncio nesta casa e não há espelhos que irão se quebrar um dia;
como frutas e arrumo minhas roupas,
visto uma camisa limpa e olho pela janela.

às vezes fumo um cigarro e vejo como a fumaça costuma se desfazer pelo ar,
acompanho calmamente as batidas de meu coração,
e como cada nuance da cidade escreve uma nota nas partituras de minha vida.

estou vivendo e encontrando os pedaços que faltam de mim,
encontro-os em universos, em pessoas e em sorrisos que me dão;
às vezes em dias de neblina, músicas que ouço e sonhos que sonho acordado.

meu coração pulsa por através da camisa;
o sol que atravessa as frestas da janela e ilumina um rosto que eu sonho ter ao meu lado;
os dias de verão que esqueço, as memórias sucintas de sorrisos, raios de sol e risos que eu um dia ouvi.

o quão idiota é ser apaixonado pela vida?

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