história sobre haroldo/capitulo tres

calibre 27 sete oito quatro outono primavera verao e aos poucos me desfiz. olhei pro ceu vi o azul mas nao vi que cor preenchia meus olhos. eu nao estava olhando. descobri que jamais fui.

peço desculpas, antes de tudo. sinto muito, mas esses olhos que te olham sao os olhos da lixeira da esquina.

ele me disse:
-que diabos
-eu sei, nao dá
-dá não
-pô é isso mesmo então
-é, fazer o que
-foi mal
-foi mal

olhei pro oceano e vi que era tarde. frio. choveu em algum momento, mas não importa, já chove há muito tempo. nunca parou de chover, não é? você quer me convencer o contrário.

aos poucos a casa esvaziou-se. névoa. nos dias em que a luz acabava eu percebia que não tinha nada, a luz é que tinha tudo. aos poucos aceitei, deixei de lado e acabei nem conseguindo mais chorar.

-ô cara, tá empacando aí
-ô, foi mal
-mas amigo, me diz o seguinte
-oi
-por que é que a sua cara ta rabiscada
-eu rabisquei
-puts

-bom, faz parte

um dia fez silencio, e daí em diante nunca mais ouvi nada. quando acordava parecia que ainda estava dormindo. as coisas pararam de fazer sentido, eu nao ouvia o vento nem os passaros nem ninguem passando na rua. parece que todo mundo ficou em casa / parece que chovia novamente e cinza.

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