história sobre haroldo/capitulo um

primeiramente quando olhei para o horizonte, pensei:

“mas que diabos afinal estou fazendo aqui? minha solidão me sabota e eu caio porque quero. a minha tristeza também é meu alimento. me alimento de momentos em que permaneço em silêncio, sofrendo. as outras pessoas percebem e isto é parte de estar triste.”

enquanto for primavera, não saberei ao certo dizer o que se passa em meu coração. minha vida, pouco a pouco passa a pertencer menos a mim. hoje, meu coração é muito mais espiritual do que material – e ainda assim sou um lixo. digo isso porque minha existencia é limitada. sou apenas um ser humano. sou quase nada.

aquela tarde se foi, e aos poucos se fez azul como noite. fui até a praia, eu queria fumar um beck. ando sempre por essa cidade e sinto muita solidão, na real porque aqui é uma cidade pequena e quase não tem ninguém na rua de noite. sempre olho os postes, a paisagem é uma coisa intangível, poucas vezes tentei falar sobre isso, mas é aquela sensação de solidão escrita na imagem. o poste alaranjado iluminando a rua completamente vazia e de fundo o vento da beira da praia batendo, as folhas do chão se mexendo e o barulho do mar ricocheteando no canto do ouvido. o barulho do mar nunca foi embora. ouço em todos os lugares, na rua ou no quarto tentando dormir.

quando voltei pra casa tomei um banho, abri o armário do banheiro pra que o espelho ficasse virado pra parede, sequei o cabelo e sentei pra ler. logo aí lembrei de que tudo tinha acabado. parece que foi quando caiu a ficha. olhei pra rua, vi que ninguém passava ali há muitas horas. tava tudo vazio.

percebi que estive há muitos anos sozinho aqui nesta casa e não me toquei que você tinha ido embora. pouco a pouco, fui sucumbindo a ideia de que tudo tinha acabado. olhava pro relógio e nunca chegava a hora, mas de repente já tinha passado. diversos dias passei sentado à cama com a janela aberta, tentando ver se o sol andava, mas não andava. mas de repente já tinha passado e era noite.

não haviam retratos na casa. eu não lembrava mais, não conseguia me lembrar. tentava, mas não conseguia. procurei por fotos, não achei. não havia album de foto algum. a casa estava vazia, só tinha uma cama, geladeira, ventilador e chuveiro. percebi que o varal tinha caído há tempos.

um dia, de repente, percebi que já não podia mais continuar. senti muito sono e quis dormir, mas ainda eram duas tarde. observei o sol por um instante e vi que se movia. sorri, e quando percebi, já tinha passado. já tinha acabado.

morri.

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