o céu de fuligem

160pouco a pouco a cidade se adentra com minúncia tal qual uma pluma que pousa no peito daquele que ama. lúcia, cadê você afinal? – os prédios anoiteciam no laranja do pôr-do-sol em pleno minhocão. meninos olhavam para o extremo, vendo o horizonte. meio milhão de escolioses atravessavam as portas do metrô, caídas, chorosas, cansadas da rotina que nos destrói.

navalha em navalha o asfalto da cidade circundará esta cidade e nos fará a sua imagem: seremos o asfalto que queima na segunda-feira mais quente do ano; seremos os esgotos que se escondem da luz; seremos a erosão que nos destruirá e nos partirá aos pedaços?

o incenso da capital: gás carbônico, guimbas, sarjetas, pessoas perdidas e perfumes caríssimos em higienópolis.

o céu, no entanto, feito de cerâmica e lirismo iluminava.

de quimera em quimera as almas descansariam quietas e escuras nos becos esquecidos de são paulo ou nos viadutos destruídos. nossos alunos morreriam em sua sabedoria e levariam-na no túmulo, cujos quais adubariam a terra que se refaz todos os dias: verde, com árvores crescendo, vegetação, alimento e ornamento num pedaço de natureza.

esquecendo a cada estação de metrô, olhando pra fora/sorrindo por dentro. olhos fechados que se refletiam no vitrô, o por-do-sol que se desenha todos os dias enquanto você dorme voltando de algum lugar.

em pedaços o céu se faz em azul, como um quebra-cabeça para que por fim, possa descobrir: foi tudo um sonho.

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