por através da serpentina que cortava as salas, podia ver cada detalhe que se desenhava no chão esmaecido pelo sol da tarde; a panela de pressão que ecoava longe, e junto com ela, as memórias que permeavam o ar daquela casa.

a cama, vazia; o vento não mais balançava os cabelos, se perdendo por entre vielas; são paulo, 2013, 2012, 1994; se perdendo em estações, dias de sol, dias cinzentos, tanto faz… todos os dias são iguais. o desemprego faz com que a gente veja todos os lugares como detalhes, como ares, sacolas que voam no ar e vão embora, tá me entendendo? algo que a gente vê acontecer e vai embora, sem que a gente sequer possa gravar na memória pra relembrar nos momentos tristes; apenas acontecem, amamos, morremos e continuamos caminhando.

chove. o metrô está lotado, as pessoas estão cansadas, suadas, querem ir pra casa tomar um banho, se secar e deitar na cama pra ver TV. lembra de matar aula pra ficar jogando video-game? as tardes que o sol entrava fino pela porta, pela janela, a gente vidrado naquele jogo que a gente ama, vivendo, vivendo. ABRE OS OLHOS! e aí você está na estação barra funda imaginando pra onde vai. pra casa? pro trabalho? que horas são? os murmúrios se levantam e se perdem com os meus pensamentos, “eu quero ir pra…“.

eu sou como todo mundo, mais uma voz nas ruas, mais uma rotina descrita nas redes sociais, mais uma alma a se queimar, ou a se supostamente vender para o diabo. vender a alma pro diabo é vender a própria sanidade pro inconsciente achar que manda em tudo; e mais, fazer voce acreditar nisso. não existe capeta nem deus, mas existem muitas outras coisas que não temos noção e sequer imaginamos.

seus olhos são você? quem paga seu salário? um desenho? um sofrimento? um trauma? ignorando as mímicas, os olhos que vemos amamos, e aí, você é quem no metrô? mais um.

isso te faz menos especial? não. e se todos fossemos especiais? quer dizer, ser mais um é especial. ou você prefere ver isso como apenas mais um no meio de um milhão de pessoas que não são especiais?

como as luzes se apagam nos prédios com o descansar do dia, como a luz do poste bate se apaga – para você e para todos os outros que estão indo dormir – assim que você fecha as janelas. apague todas as luzes; deitar na cama pra pensar, fechar os olhos, rodopiar no vento do ventilador e dormir.

amanhã é outro dia.

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2 respostas para

  1. Ana Carolina disse:

    Cara, cê não sabe como cê melhora meu dia, pqp eu te amo

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